sem ar
Entre fevereiro de 2020 e outubro de 2021, mais de 600 mil pessoas morreram de covid-19 no Brasil. Esta linha do tempo reúne, com fonte em cada linha, o que o governo federal fez e o que deixou de fazer enquanto isso — e os depoimentos de quem ficou.
O relatório final da CPI da Pandemia, aprovado no Senado em 26 de outubro de 2021, pediu o indiciamento do então presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, por nove crimes: epidemia com resultado morte, infração de medida sanitária preventiva, charlatanismo, incitação ao crime, falsificação de documento particular, emprego irregular de verbas públicas, prevaricação, crimes contra a humanidade e crimes de responsabilidade. Ele não foi preso por nenhum deles porque indiciamento pedido por comissão parlamentar não prende ninguém: a denúncia cabia ao procurador-geral da República, Augusto Aras — indicado ao cargo por Bolsonaro fora da lista tríplice da categoria e por ele reconduzido em 2021 —, que não a apresentou.
600.425
mortes confirmadas até 8 de outubro de 2021
700.000
mortes confirmadas até 28 de março de 2023
Quantas dessas mortes podiam ter sido evitadas
Três estimativas foram apresentadas à CPI da Pandemia e constam do seu relatório final. Têm métodos e recortes diferentes, e por isso estão aqui as três, com a autoria de cada uma — da mais estreita, que mede o efeito de uma única decisão, à mais ampla, que compara o Brasil com o resto do mundo.
12.663
pessoas com 60 anos ou mais
mortes em março, abril e maio de 2021 que não teriam ocorrido se o Ministério da Saúde tivesse contratado, em agosto de 2020, as 70 milhões de doses oferecidas pela Pfizer
modelo matemático de pesquisadores da USP, da FGV, do Butantan e da London School, citado no relatório final da CPI da Pandemia
120.000
mortes
parcela evitável do excesso de 305 mil mortes registrado no país, por testagem em massa, rastreamento de contatos, isolamento, máscaras e restrição de mobilidade
Werneck et al., “Mortes evitáveis por covid-19 no Brasil”, Idec e Oxfam, junho de 2021, apresentado à CPI em 24 de junho de 2021
400.000
mortes
quatro de cada cinco mortes no país teriam sido evitadas se o Brasil estivesse na média mundial de mortalidade
Pedro Hallal, epidemiologista e ex-reitor da UFPel, em depoimento à CPI da Pandemia em 24 de junho de 2021
Por que a responsabilidade é do governo federal
Porque as decisões que produziram o atraso eram federais, e só podiam ser tomadas no nível federal. A compra centralizada de vacinas é atribuição da União; estado e município não podem assinar contrato com fabricante estrangeiro no lugar dela. Cada elo desta cadeia está documentado nesta linha do tempo, com data e fonte.
2020
- marco epidemiológico
O primeiro caso confirmado no Brasil
O Ministério da Saúde confirma o primeiro caso de covid-19 no país. O paciente, um homem de 61 anos, estivera na Lombardia entre 9 e 21 de fevereiro, teve os primeiros sintomas na volta, foi atendido no Hospital Israelita Albert Einstein em 24 de fevereiro e notificado às autoridades sanitárias no dia 25. O Brasil tinha, nesse dia, cerca de um mês de vantagem sobre a Europa para se preparar.
3 fontesa conferirinstitucional - omissãomarço de 2020 a fevereiro de 2021
A campanha do presidente contra as medidas sanitárias
Ao longo de quase um ano, o presidente da República fez uma sequência contínua de declarações públicas minimizando a doença, atacando o distanciamento social e desacreditando o uso de máscaras. A CPI da Pandemia compilou essas falas com data e fonte e concluiu que o chefe do Executivo foi “o maior canal de disseminação de desinformações” sobre as medidas não farmacológicas.
“O governo federal não seguiu essa estratégia e teve no Presidente da República o maior canal de disseminação de desinformações e de conflitos a respeito das medidas não farmacológicas.”
2 fontesdesinformaçãomáscaras e distanciamento - marco epidemiológico
A primeira morte — e a data que mudou depois
Em 17 de março de 2020 o país é informado de sua primeira morte por covid-19, um homem de 62 anos que morrera no dia 16 em São Paulo. Três meses depois, o Ministério da Saúde corrige a série histórica: a primeira morte fora a de uma mulher de 57 anos, em 12 de março. A revisão mostra que a contagem oficial andava atrás dos fatos desde o começo.
2 fontesa conferirdados e transparência - declaração públicamarço de 2020 a junho de 2021
O núcleo político da desinformação
A CPI da Pandemia concluiu que a desinformação sobre a covid-19 não foi espontânea, mas produzida por uma organização de cinco núcleos articulados. Um deles, o núcleo político, era formado por parlamentares — e o relatório final lista, com data, o que cada um publicou contra as máscaras, o distanciamento, as vacinas e a favor do chamado tratamento precoce.
“Em seguida, está o núcleo que oferece suporte político às decisões da organização. Ele é formado essencialmente por parlamentares, políticos, autoridades públicas e religiosas. […] Eles incentivaram as pessoas ao descumprimento das normas sanitárias impostas para conter a pandemia e adotaram condutas de incitação ao crime.”
2 fontesdesinformaçãomáscaras e distanciamentovacinascloroquina e tratamento - marco epidemiológico
O primeiro e-mail da Pfizer, nove dias antes da primeira morte
Albert Bourla, presidente mundial da Pfizer, escreve ao presidente da República apresentando os produtos da empresa. É o primeiro de uma sequência de contatos que atravessaria todo o ano de 2020 — pedidos de reunião com o ministro da Saúde e com o vice-presidente em maio, acordo de confidencialidade em julho, propostas vinculantes em agosto. O contrato seria assinado um ano depois.
2 fontesvacinas - omissão
“Gripezinha”: o pronunciamento em rede nacional
Em pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão, o presidente da República minimiza a doença, critica o fechamento de escolas e de comércio e pede o retorno à normalidade. O discurso define a posição do governo federal pelos dois anos seguintes e contraria a orientação do próprio Ministério da Saúde.
“No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho.”
3 fontesa conferirdesinformaçãomáscaras e distanciamento - omissão
“O Brasil não pode parar” — e a tese da imunidade de rebanho
O Supremo Tribunal Federal proíbe, em liminar, a produção e a veiculação de qualquer campanha publicitária com o mote “O Brasil não pode parar”, atribuída à Secretaria de Comunicação da Presidência. Para a CPI da Pandemia, a peça é prova da estratégia que o governo federal perseguiu: atingir a imunidade de rebanho pela contaminação, em vez de contê-la.
“Pelas provas colhidas, foi possível concluir que o Presidente da República assessorado pelo gabinete paralelo defendia o atingimento da imunidade de rebanho por meio da contaminação coletiva pelo vírus. A estratégia era favorecer a propagação do novo coronavírus, contrapondo-se à adoção de medidas não farmacológicas.”
3 fontesmáscaras e distanciamentodesinformaçãoinstitucional - ação do governo
A demissão de Mandetta
Um decreto de 16 de abril de 2020, publicado em edição extra do Diário Oficial no mesmo dia, exonera Luiz Henrique Mandetta do cargo de ministro de Estado da Saúde. A demissão vem depois de semanas de atrito público com o presidente a respeito de distanciamento social e cloroquina. Era o ministro que conduzia a resposta à epidemia desde o primeiro caso.
“O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, caput, inciso I, da Constituição, resolve: EXONERAR LUIZ HENRIQUE MANDETTA do cargo de Ministro de Estado da Saúde.”
2 fontesinstitucionalcloroquina e tratamento - omissão
“E daí?”, com 5 mil mortos
No dia em que o Brasil ultrapassa a China em número de mortes — 5.017 contra 4.643 —, o presidente responde a jornalistas com “e daí?”. Oito dias antes, perguntado sobre o número de mortos, dissera não ser coveiro.
“E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre.”
3 fontes5.017 mortes até aquia conferirdesinformação - marco epidemiológico
10 mil mortes
Setenta e quatro dias depois do primeiro caso confirmado, o Brasil passa de 10 mil mortes. No dia anterior, o segundo ministro da Saúde da pandemia deixara o cargo; o Ministério ficaria sob comando interino de um general por mais de um ano.
2 fontesa conferirdados e transparência - ação do governo
Nelson Teich deixa o cargo em 28 dias
O segundo ministro da Saúde da pandemia anuncia a saída menos de um mês depois de tomar posse; o decreto que o exonera “a pedido” sai no dia seguinte, em edição extra do Diário Oficial. À CPI da Pandemia, Teich diria depois que saiu por divergir do governo quanto à cloroquina e por não ter autonomia sobre o uso do medicamento. O Ministério passa ao comando interino de um general da ativa.
“EXONERAR, a pedido, NELSON LUIZ SPERLE TEICH do cargo de Ministro de Estado da Saúde.”
3 fontesinstitucionalcloroquina e tratamento - ação do governo
O Ministério amplia a cloroquina para casos leves
Cinco dias depois de assumir interinamente, o general Eduardo Pazuello publica a Nota Informativa nº 9/2020, que estende a prescrição de cloroquina, hidroxicloroquina e azitromicina a casos leves de covid-19. O próprio documento admite, no texto, que não há evidência científica robusta para indicar terapia farmacológica específica contra a doença.
“Até o momento, não existem evidências científicas robustas que possibilitem a indicação de terapia farmacológica específica para a covid-19.”
2 fontescloroquina e tratamentodesinformação - marco epidemiológico
O Brasil passa a Espanha
Com 27.878 mortes, o país ultrapassa a Espanha e assume a quinta posição mundial em número absoluto de óbitos. Em duas semanas passaria da quinta para a segunda.
2 fontesa conferirdados e transparência - omissão5 a 8 de junho de 2020
O apagão de dados
Até 4 de junho o governo federal divulgava casos e mortes do dia e os totais acumulados. No dia 5, sem justificativa, o painel sai do ar; quando volta, já não traz o acumulado, e os boletins passam a ser divulgados à noite. Três dias depois, o Supremo Tribunal Federal manda restabelecer a divulgação integral.
2 fontesdados e transparência - marco epidemiológico
O Brasil passa o Reino Unido e vira o segundo do mundo
Com 41.828 mortes contra 41.566 do Reino Unido, o Brasil se torna o segundo país do mundo em número absoluto de mortes por covid-19, atrás apenas dos Estados Unidos. Subiu da quinta à segunda posição em duas semanas, e não sairia mais dela.
3 fontesa conferirdados e transparência - marco epidemiológico
50 mil mortes
O país passa de 50 mil mortes quatro meses depois do primeiro caso. Nesse mesmo mês, o governo federal havia retirado do ar a série histórica dos dados da pandemia, e veículos de imprensa formaram um consórcio para apurar os números com as secretarias estaduais.
3 fontesa conferirdados e transparência - omissão
Os vetos na lei das máscaras
A Lei 14.019 torna obrigatório o uso de máscara, mas é sancionada com vetos que retiram a obrigatoriedade em estabelecimentos comerciais e industriais, templos religiosos e escolas, derrubam o fornecimento gratuito de máscaras a populações vulneráveis e cancelam a obrigação de o Executivo veicular campanhas sobre o uso correto do equipamento. A razão apresentada para o primeiro veto foi a inviolabilidade de domicílio.
“A propositura legislativa, ao estabelecer que o uso de máscaras será obrigatório em demais locais fechados em que haja reunião de pessoas, incorre em possível violação de domicílio por abarcar conceito abrangente de locais não abertos ao público.”
2 fontesmáscaras e distanciamento - omissãojulho a agosto de 2020
Água, leito e respirador vetados — e o STF obrigado a intervir
A Lei 14.021, de proteção social a povos indígenas na pandemia, é sancionada com dezesseis dispositivos vetados, entre eles o acesso universal a água potável, a distribuição gratuita de material de higiene, a oferta emergencial de leitos de UTI e a compra de ventiladores. Semanas antes, o Supremo já havia determinado à União o que o Executivo não fizera por iniciativa própria.
3 fontespovos indígenasperiferia e vulnerabilidade - marco epidemiológico
100 mil mortes
Cinco meses depois da primeira morte, o Brasil chega a 100 mil mortos. Não houve luto oficial nem pronunciamento. Na praia de Copacabana, uma ONG fincou cem cruzes na areia, e um pai que acabara de perder o filho recolocou, sozinho, as que manifestantes derrubaram.
2 fontesa conferirdados e transparência - omissãoagosto de 2020 a março de 2021
As três propostas de agosto, e os sete meses de silêncio
Em 14, 18 e 26 de agosto de 2020 a Pfizer apresenta três propostas vinculantes de venda de vacina ao governo brasileiro, cada uma em duas opções — 30 ou 70 milhões de doses —, a US$ 10 a dose, com entrega começando ainda em 2020. A última dava prazo de quinze dias e não foi aceita nem recusada. O contrato seria assinado sete meses depois, com menos doses para o primeiro semestre de 2021 do que a oferta de agosto previa.
“Como era vinculante e estávamos neste processo com todos os governos, teria uma validade de 15 dias. Passados esses 15 dias, o Governo do Brasil não rejeitou, mas tampouco aceitou a oferta.”
4 fontesvacinas - omissão
O Butantan oferece 100 milhões de doses, 45 milhões ainda em 2020
Por ofício ao Ministério da Saúde, o Instituto Butantan oferece 100 milhões de doses da CoronaVac — 45 milhões até dezembro de 2020, 15 milhões até fevereiro de 2021 e 40 milhões até maio. Duas semanas depois, o presidente desautorizaria em público a compra. O contrato só seria assinado em 7 de janeiro de 2021, e as entregas começariam no dia 15.
2 fontesvacinas - omissão
O governo federal anuncia que não comprará a CoronaVac
Em 20 de outubro de 2020, depois de reunião com governadores, o ministro da Saúde assina protocolo de intenções para adquirir 46 milhões de doses da CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan em São Paulo. No dia seguinte o presidente o desautoriza em público e declara que a compra não será feita. A vacina estava em ensaio clínico de fase 3 com voluntários brasileiros.
3 fontesa conferirvacinasdesinformação - declaração pública
A Câmara sedia um evento pela imunidade de rebanho
O líder do governo na Câmara dos Deputados organiza, na própria Casa, um evento para defender a imunidade de rebanho por contaminação, com a presença de médicos ligados ao chamado tratamento precoce. No evento, deputados e convidados defendem a volta imediata às aulas presenciais.
1 fontedesinformaçãomáscaras e distanciamento - declaração pública
“Morte, invalidez, anomalia”
Um dia depois de a Anvisa suspender os testes da CoronaVac por um evento adverso grave — depois esclarecido como um suicídio sem relação com a vacina —, o presidente publica em rede social que o imunizante poderia causar “morte, invalidez, anomalia” e trata a suspensão como vitória política sobre o governador de São Paulo.
5 fontesa conferirvacinasdesinformação - declaração pública
“Se você virar um jacaré, é problema seu”
Em evento público em Porto Seguro, o presidente afirma que o contrato da Pfizer isentaria a empresa de responsabilidade por efeitos colaterais e que, se alguém virasse jacaré depois de tomar a vacina, o problema seria dele. Disse também que não se vacinaria. O país começaria a vacinar um mês depois, com doses do Butantan.
“Lá no contrato da Pfizer está bem claro: nós não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral. Se você virar um jacaré, é problema seu.”
3 fontesa conferirvacinasdesinformação
2021
- omissão7 a 15 de janeiro de 2021
Manaus sem oxigênio
Na noite de 7 de janeiro de 2021 o secretário de Saúde do Amazonas telefona ao ministro da Saúde para avisar do problema de abastecimento de oxigênio; a comunicação formal da fornecedora chega ao Ministério no dia 8. O socorro federal chega em 13, e em 14 de janeiro pacientes morrem asfixiados em leitos de Manaus. As duas datas constam de resposta oficial do próprio Ministério da Saúde ao Congresso.
“— O senhor concorda que, se não faltasse oxigênio, vidas seriam salvas? — Concordo em gênero, número e grau.”
5 fontesoxigênio - marco epidemiológico
200 mil mortes
O país passa de 200 mil mortes no mesmo dia em que o secretário de Saúde do Amazonas telefona ao ministro para avisar que o oxigênio vai faltar em Manaus, e dez dias antes da primeira dose aplicada no Brasil.
2 fontesa conferirdados e transparência - ação do governo11 a 21 de janeiro de 2021
O TrateCov: o aplicativo da cloroquina, lançado em Manaus
Na mesma semana em que Manaus ficou sem oxigênio, o Ministério da Saúde lançou na cidade o TrateCov, um aplicativo que, a partir de sintomas informados, prescrevia cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina — inclusive para crianças. A ferramenta foi montada em cinco dias e saiu do ar dez dias depois, a pedido do Conselho Federal de Medicina.
“— Tudo aquilo que poderiam ter feito com o povo do Amazonas e de Manaus para testar, para usar de cobaia, para ter experiência foi feito lá. — Presidente, o senhor me desculpe, mas não é cobaia. É uma tentativa de melhorar o atendimento ao público.”
3 fontescloroquina e tratamentooxigêniodesinformação - marco epidemiológico
A primeira dose aplicada no Brasil
Reunida em sessão extraordinária num domingo, a diretoria colegiada da Anvisa aprova por unanimidade a autorização temporária de uso emergencial da CoronaVac, do Butantan, e da Covishield, produzida pelo Serum Institute of India e distribuída pela Fiocruz. Minutos depois, a enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, é vacinada em São Paulo. O país começa a vacinar quase um mês depois do Reino Unido e de vizinhos sul-americanos.
3 fontesvacinas - ação do governo
O contrato com a Pfizer, sete meses depois
O Ministério da Saúde assina com a Pfizer o Contrato nº 52/2021, de 100.001.070 doses, com entregas até o fim do terceiro trimestre de 2021. Entre a primeira oferta da fabricante e a assinatura passaram-se sete meses e quatro dias — o intervalo em que o país entrou na segunda onda.
3 fontesa conferirvacinas - marco epidemiológico
300 mil mortes
Setenta e seis dias depois das 200 mil, o Brasil chega a 300 mil mortes. O contrato com a Pfizer fora assinado seis dias antes, sete meses depois da primeira oferta. O pior mês da pandemia ainda estava por vir.
1 fontea conferirdados e transparência - marco epidemiológico
4.249 mortes em um dia
O Ministério da Saúde registra 4.249 mortes por covid-19 em 24 horas, o maior número diário da pandemia no país, e o total acumulado chega a 345.025. Dois dias antes o balanço já passara de 4 mil. Abril de 2021 seria o mês mais letal da pandemia no Brasil, com a vacinação ainda no começo.
2 fontesa conferirdados e transparência - investigação
Instala-se a CPI da Pandemia
O Senado instala a Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia dezenove dias depois de o Supremo Tribunal Federal determinar sua abertura. Omar Aziz é eleito presidente, Randolfe Rodrigues vice e Renan Calheiros confirmado relator. Em seis meses, a comissão produz o acervo documental que sustenta boa parte desta linha do tempo.
2 fontesinstitucional - marco epidemiológico
400 mil mortes
Trinta e seis dias depois das 300 mil, o Brasil passa de 400 mil mortos, com 401.186 registrados. Abril de 2021 foi o mês mais letal da pandemia no país, e a vacinação cobria pouco mais de 2% da população com esquema completo.
1 fontea conferirdados e transparência - marco epidemiológico
500 mil mortes
O Brasil passa de meio milhão de mortes por covid-19. No mesmo dia, manifestações contra o governo federal ocupam ruas de mais de trezentas cidades. A CPI da Pandemia estava em curso havia dois meses.
2 fontesa conferirdados e transparência - investigação
A denúncia da Covaxin
Luis Ricardo Miranda, chefe de importação do Ministério da Saúde, depõe à CPI da Pandemia e relata pressão atípica para liberar o pagamento da vacina indiana Covaxin. A fatura apresentada vinha em nome de uma empresa que não constava do contrato, exigia pagamento 100% antecipado e cobria apenas 300 mil doses. Quatro dias depois, o contrato é suspenso.
“Ao ser analisado por um técnico da divisão de importação, foi verificado que Madison Biotech não é uma correspondente do contrato que constava a Precisa Medicamentos e a Bharat Biotech. Outra observação que foi analisada foi que o termo de pagamento era 100% antecipado.”
3 fontesvacinasinstitucional - declaração pública
“Quantas vacinas no braço do povo a CPI botou?”
Em pronunciamento no plenário do Senado, o senador Flávio Bolsonaro chama os trabalhos da CPI da Pandemia de “show de horrores”, acusa o relator de usar a comissão contra si e questiona a utilidade da investigação. O discurso é de duas semanas depois da denúncia da Covaxin e de três meses antes do relatório final.
“Quantas vacinas no braço do povo a CPI botou? O que a CPI tem feito para ajudar o Brasil a sair dessa crise? Quantos empregos a CPI salvou? Está sendo uma vergonha para a população.”
2 fontesinstitucionaldesinformação - marco epidemiológico
600 mil mortes
O Brasil passa de 600 mil mortes confirmadas por covid-19, a segunda maior cifra absoluta do mundo. O Ministério da Saúde contabiliza 600.425 óbitos; o consórcio de veículos de imprensa, 600.077 no mesmo dia. Dezenove meses separam essa data da primeira morte registrada no país.
2 fontesa conferirdados e transparência - declaração públicaoutubro a dezembro de 2021
A live da aids, removida por três plataformas
Em transmissão ao vivo, o presidente afirma que relatórios oficiais do Reino Unido sugeririam que pessoas totalmente vacinadas estariam “desenvolvendo aids muito mais rápido que o previsto”. A informação vinha de um site conspiracionista. Facebook, Instagram e YouTube removeram o vídeo, e o Supremo abriu inquérito a pedido da CPI da Pandemia.
“Relatórios oficiais do governo do Reino Unido sugerem que os totalmente vacinados estão desenvolvendo aids muito mais rápido que o previsto.”
4 fontesa conferirvacinasdesinformação - investigação
O relatório final da CPI da Pandemia
A CPI da Pandemia aprova seu relatório final por 7 votos a 4 e pede o indiciamento de 78 pessoas e duas empresas, entre elas o então presidente da República, a quem imputa nove crimes — do Código Penal, da Lei de Impeachment e do Estatuto de Roma. O documento tem 1.287 páginas e conclui que houve, na condução federal, opção deliberada por não conter a doença.
3 fontesinstitucionalvacinas
2023
- marco epidemiológico
700 mil mortes
Três anos depois do primeiro caso, o Ministério da Saúde registra 700 mil mortes por covid-19 no Brasil — o segundo maior número absoluto do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. É o último marco desta linha do tempo, e o que fecha a conta.
2 fontesa conferirdados e transparência
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