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A denúncia da Covaxin

Luis Ricardo Miranda, chefe de importação do Ministério da Saúde, depõe à CPI da Pandemia e relata pressão atípica para liberar o pagamento da vacina indiana Covaxin. A fatura apresentada vinha em nome de uma empresa que não constava do contrato, exigia pagamento 100% antecipado e cobria apenas 300 mil doses. Quatro dias depois, o contrato é suspenso.

“Ao ser analisado por um técnico da divisão de importação, foi verificado que Madison Biotech não é uma correspondente do contrato que constava a Precisa Medicamentos e a Bharat Biotech. Outra observação que foi analisada foi que o termo de pagamento era 100% antecipado.”

Luis Ricardo Fernandes Miranda, chefe da divisão de importação do Ministério da Saúde · notas taquigráficas da CPI da Pandemia, 25 de junho de 2021

O contrato, assinado em fevereiro de 2021, previa 20 milhões de doses da vacina da indiana Bharat Biotech, intermediada no Brasil pela Precisa Medicamentos. A fatura chegou em 22 de março em nome da Madison Biotech, sediada em Cingapura e ausente do contrato. O servidor que a analisou apontou três problemas: a empresa emissora não era parte do contrato, o pagamento seria integralmente antecipado e a quantidade coberta era de apenas 300 mil doses.

O servidor relatou pressão incomum — inclusive em fins de semana — para concluir a importação. Com o irmão, o deputado Luis Miranda, afirmou ter levado as suspeitas ao presidente da República em 20 de março de 2021, um dia depois da emissão das notas. Segundo o deputado, a cobrança da própria CPI foi o que fez a empresa mandar a correção, e sem isso US$ 45 milhões teriam sido pagos. O deputado mudou depois a versão sobre o que o presidente teria visto dos documentos.

Em 29 de junho de 2021 o Ministério da Saúde suspendeu o contrato, por recomendação da Controladoria-Geral da União, em anúncio feito pelo ministro Marcelo Queiroga ao lado do ministro da CGU. A suspensão foi apresentada como medida preventiva enquanto durasse a apuração.

O episódio mudou o eixo da CPI: até ali a comissão investigava sobretudo a omissão; a partir dali passou a investigar também a hipótese de corrupção na compra de vacinas. O contraste é o que pesou — enquanto propostas de fabricantes com vacina em fase final ficavam meses sem resposta, um contrato de intermediação avançava com pressa incomum.

fontes

  1. CPI da Pandemia25 de junho de 2021

    Notas taquigráficas da CPI da Pandemia — oitiva de Luis Ricardo Fernandes Miranda e do deputado Luis Miranda · Senado Federal

  2. imprensa29 de junho de 2021

    Governo suspende contrato com a Covaxin por recomendação da CGU · Poder360

  3. CPI da Pandemia26 de outubro de 2021

    Relatório final da CPI da Pandemia — capítulo sobre a Covaxin · Senado Federal