O governo federal anuncia que não comprará a CoronaVac
Em 20 de outubro de 2020, depois de reunião com governadores, o ministro da Saúde assina protocolo de intenções para adquirir 46 milhões de doses da CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan em São Paulo. No dia seguinte o presidente o desautoriza em público e declara que a compra não será feita. A vacina estava em ensaio clínico de fase 3 com voluntários brasileiros.
O argumento público foi o de que não se justificava aporte bilionário em um imunizante que ainda não concluíra a fase de testes, e a vacina foi tratada como assunto político — “a vacina chinesa do João Doria”. O Ministério emitiu nota dizendo ter havido “interpretação equivocada” da fala do ministro e que o protocolo não era vinculante.
À CPI da Pandemia, em maio de 2021, Pazuello sustentou que não houve recuo porque o contrato ainda não fora assinado com o Butantan, e classificou as declarações do presidente sobre vacinas como feitas de improviso, não como ordens.
A CoronaVac acabou sendo a vacina que mais imunizou brasileiros no primeiro semestre de 2021: em janeiro de 2021, o mesmo Ministério anunciou contrato com o Butantan para até 100 milhões de doses, das quais 46 milhões na compra inicial — o mesmo número recusado três meses antes.
O custo da recusa pública não foi só o atraso na compra: a declaração presidencial alimentou, por meses, a desconfiança sobre a vacina que estava mais perto de chegar aos brasileiros.
fontes
- imprensa21 de outubro de 2020
Bolsonaro diz que governo federal não comprará vacina CoronaVac · Agência Brasil
- documento oficial21 de outubro de 2020
Senadores criticam recuo do governo na compra de vacina contra o coronavírus · Senado Notícias
- CPI da Pandemia19 de maio de 2021
Depoimento de Eduardo Pazuello à CPI da Pandemia · Rádio Senado