“Se você virar um jacaré, é problema seu”
Em evento público em Porto Seguro, o presidente afirma que o contrato da Pfizer isentaria a empresa de responsabilidade por efeitos colaterais e que, se alguém virasse jacaré depois de tomar a vacina, o problema seria dele. Disse também que não se vacinaria. O país começaria a vacinar um mês depois, com doses do Butantan.
“Lá no contrato da Pfizer está bem claro: nós não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral. Se você virar um jacaré, é problema seu.”
Na mesma fala, o presidente mencionou a possibilidade de a vacina “virar Super-Homem”, disse que ela mexeria no sistema imunológico e afirmou que não a tomaria, por já ter tido a doença e ter anticorpos.
O relatório final da CPI da Pandemia trata esse tipo de declaração como parte de uma cadeia: “os boatos espalhados pelo Presidente da República, de que a vacina faria mal à saúde, mudaria o sexo das pessoas ou as transformaria em jacarés, por mais disparatados que sejam, ganham força e credibilidade emprestados pela autoridade presidencial”. O capítulo sobre povos indígenas mostra o fim dessa cadeia: o relatório afirma haver provas de que a desinformação chegou às aldeias por rádio e aplicativos de mensagem, com líderes religiosos endossando a recusa à imunização.
A declaração é de 17 de dezembro de 2020. A Pfizer havia oferecido doses ao Brasil pela primeira vez em 14 de agosto, com entrega prevista para começar naquele mesmo dezembro.
fontes
- imprensa17 de dezembro de 2020
Em crítica à Pfizer, Bolsonaro diz que pessoas podem “virar jacaré” se tomarem vacina · Revista Fórum
- CPI da Pandemia26 de outubro de 2021
Relatório final da CPI da Pandemia — capítulo sobre desinformação: os boatos de que a vacina “transformaria as pessoas em jacarés” · Senado Federal
- vídeo ou áudio17 de dezembro de 2020
Registro audiovisual da declaração · acervo de imprensa
sem link público · arquivado em vídeo do evento a arquivar — reproduzido por veículos nacionais e internacionais na data