“Morte, invalidez, anomalia”
Um dia depois de a Anvisa suspender os testes da CoronaVac por um evento adverso grave — depois esclarecido como um suicídio sem relação com a vacina —, o presidente publica em rede social que o imunizante poderia causar “morte, invalidez, anomalia” e trata a suspensão como vitória política sobre o governador de São Paulo.
A Anvisa suspendeu os testes em 9 de novembro de 2020 por um “evento adverso grave” com um voluntário, sem especificar qual. O laudo do Instituto Médico Legal apontou suicídio, sem relação com o imunizante, e os testes foram retomados dois dias depois.
No intervalo, a suspensão virou argumento. A publicação presidencial insinuava que a vacina poderia causar morte, invalidez ou anomalia, e identificava o imunizante como “a vacina que o Doria queria obrigar todo o paulistano a tomar”.
Na transmissão ao vivo de 12 de novembro, o presidente negou ter comemorado a morte do voluntário, mas afirmou que o suicídio precisava ser investigado porque “pode estar relacionado com o imunizante” — sem apresentar evidência. Senadores reagiram no mesmo dia; o registro da reação está na Agência Senado, o que ancora a data.
fontes
- CPI da Pandemia26 de outubro de 2021
Relatório final da CPI da Pandemia — capítulo sobre desinformação na pandemia · Senado Federal
- documento oficial10 de novembro de 2020
Senadores criticam comemoração de Bolsonaro da suspensão dos testes da CoronaVac · Senado Notícias
- imprensa11 de novembro de 2020
Anvisa autoriza retomada de estudos clínicos com a CoronaVac · Agência Brasil
- imprensa10 de novembro de 2020
Laudo do IML aponta suicídio como causa da morte de voluntário da CoronaVac · Estado de Minas
- vídeo ou áudio10 de novembro de 2020
Publicação do presidente da República em rede social · Facebook
sem link público · arquivado em publicação original a arquivar — capturas em acervos de imprensa e no relatório da CPI