Arquivaldo Bites Leão Leite
audiência pública da CPI da Pandemia com vítimas diretas e indiretas da covid-19, 18 de outubro de 2021
De uma família de vinte irmãos, perdeu primos e um tio para a covid-19. A família se reunia pela internet todos os domingos desde o início da pandemia para reforçar o isolamento e o uso de máscara, e foi hostilizada por isso.
“Nós fomos, em vários momentos, hostilizados por setores da sociedade que eram levados pela liderança presidencial, dizendo que, se a gente queria isolamento, então a gente fosse dar alimento para as famílias pobres.”
Trecho da fala de Arquivaldo Bites Leão Leite à CPI da Pandemia, representando a associação Vida e Justiça, transcrito das notas taquigráficas da sessão.
Meu nome é Arquivaldo Bites. Sou de uma família numerosa. Nós somos 20 irmãos. Eu tenho 12 filhos, 12 tios também e centenas de primos. Desde o início dessa pandemia, toda a nossa família, nós nos reunimos pelo sistema de internet todos os domingos, às 15h, sempre procurando conscientizar uns aos outros da importância do isolamento social, do uso de máscara, isso já logo no início da pandemia. No decorrer de todo esse período, ainda no ano passado, nós fomos, em vários momentos, hostilizados por setores da sociedade que eram levados pela liderança presidencial, dizendo que, se a gente queria isolamento, então a gente fosse dar alimento para as famílias pobres. E, realmente, nós fizemos campanhas solidárias de alimentação, de arrecadação de alimentos para as pessoas. Procuramos sempre observar as normas de isolamento, de uso de máscara, mas, lamentavelmente, essa pandemia, aos poucos, foi chegando à nossa família. Ainda no mês de julho do ano passado, um primo nosso, primo primeiro, médico, que já era aposentado pelo antigo Inamps, que é o Ministério da Saúde hoje, trabalhava ainda. E nós falamos para ele: “Breno, pare de trabalhar”. Ele disse: “Não. O Brasil nunca precisou de mim tanto como agora”. E continuou trabalhando. Passados alguns dias, ele, que tinha 76 anos, foi infectado e veio a falecer. Logo em seguida, tivemos outro primo, primo primeiro, o Milton, que também foi infectado e veio a falecer. Com esses dois falecimentos, a nossa preocupação aumentou ainda mais. E aí passou um tempo sem a gente ter vítimas na família, mas sempre com vítimas que eram amigos. E, a cada amigo, a cada parente que a gente perde, é um sofrimento na nossa família. Neste ano, perdemos um tio que trabalhava nas lides rurais. Foi à cida
fontes
- CPI da Pandemia18 de outubro de 2021
Notas taquigráficas da 65ª reunião da CPI da Pandemia — audiência pública para oitiva de vítimas diretas e indiretas da covid-19 · Senado Federal