Mayra Pires Lima
Manaus · AM — audiência pública da CPI da Pandemia com vítimas diretas e indiretas da covid-19, 18 de outubro de 2021
Profissional de saúde em Manaus, assumiu ela própria os cuidados da irmã internada porque cinco técnicos de enfermagem atendiam oitenta pacientes graves. A irmã esperou dez dias por um leito de UTI.
“A minha irmã faleceu no dia 10 de fevereiro com 100% do pulmão comprometido, e a minha irmã entrou no hospital saturando 95% em ar ambiente.”
Mayra Pires Lima fala à comissão. A emissora legenda a cena: “A irmã de Mayra Lima morreu em decorrência da crise de falta de oxigênio em Manaus, em janeiro deste ano”. O trecho foi localizado lendo o letreiro, segmento a segmento.
trecho montado a partir do arquivo público · página de origem
Trecho da fala de Mayra Pires Lima à CPI da Pandemia, transcrito das notas taquigráficas da sessão. A íntegra está no registro do Senado, no link em fonte.
A minha irmã ficou cinco dias com oxigênio a 100% no reservatório, mas ela não passava de 85% de saturação. Então, o oxigênio, naquela situação dela, não ia resolver. Infelizmente, demoraram os leitos de UTI, porque ela foi para uma UTI… Ela se internou no hospital no dia 16 e foi para a UTI no dia 22 de janeiro. Durante essa semana inteira, ela chegou à saturação de 55%, porque o oxigênio acabou e nós tivemos que comprar, a família se juntou e compramos o oxigênio. Todo o oxigênio mandado pelo Governo Federal e por todas as pessoas que foram benfeitoras não foi suficiente, porque era uma grande quantidade, mas, infelizmente, o número de doentes era bem maior do que a quantidade enviada. O que é que aconteceu? A minha irmã faleceu no dia 10 de fevereiro com 100% do pulmão comprometido, e a minha irmã entrou no hospital saturando 95% em ar ambiente. Todos os dias, nós víamos dez pessoas morrerem na nossa frente, agonizando. Elas entravam e morriam por causa de várias situações. Eu não culpo os médicos, não culpo os meus colegas, porque eles não tinham com o que trabalhar. Muitas vezes, eu assumi a assistência de saúde da minha irmã porque nós tínhamos cinco técnicos de enfermagem para cuidar de 80 pacientes graves, e, enquanto eles estavam cuidando de um, outro tinha parada cardíaca do lado.
No mesmo depoimento, ela descreveu a falta de equipamento de proteção para os profissionais de saúde e contou que a família comprou oxigênio por conta própria quando o do hospital acabou. O presidente da comissão observou, em resposta, que em Manaus se chegou a organizar lista de espera para entrar na UTI.
fontes
- CPI da Pandemia18 de outubro de 2021
Notas taquigráficas da 65ª reunião da CPI da Pandemia — audiência pública para oitiva de vítimas diretas e indiretas da covid-19 · Senado Federal
na linha do tempo
- 07.01.2021Manaus sem oxigênio