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Katia Shirlene Castilho dos Santos

João Pessoa · PB — audiência pública da CPI da Pandemia com vítimas diretas e indiretas da covid-19, 18 de outubro de 2021

Perdeu o pai e a mãe em março de 2021. O pai contraiu o vírus a uma semana de poder se vacinar. À mãe, internada na Prevent Senior, foi administrada flutamida sem autorização da família, apesar de ela ter perdido parte do fígado numa metástase.

“Eu fiz do meu luto uma luta: eu prometi pra mim mesma que eu não ia me calar, que eu ia seguir até o fim.”

Trecho da fala de Katia Shirlene Castilho dos Santos à CPI da Pandemia, transcrito das notas taquigráficas da sessão.

Eu vou contar um pouco da minha história com os meus pais. Já fazia um ano que eu não via meus pais, por conta da pandemia. A gente sabe que foi uma coisa que fez com todo mundo isso, afastou todo mundo, porque não podíamos ter contato. E, aí, faltando uma semana para o meu pai poder ser vacinar, porque não tinha vacina ainda, ele acabou contraindo o vírus. No dia 18 de março de 2021, a gente teve que levá-lo para o hospital público, e ele foi internado. A última vez que eu vi meu pai foi quando a minha irmã, que estava acompanhando ele na internação, fez um vídeo para mim, e ele falou comigo ainda. A gente ainda estava achando que ele ia sair dali. E ficamos esperando por isso. Só que a minha mãe também contraiu o vírus. Infelizmente, ela também estava contaminada. Ela tinha o plano de saúde da Prevent Senior. Meu pai não tinha, mas ela tinha. Ela era associada já há 15 anos da Prevent Senior, e a gente tinha muita confiança nesse plano. Ela passou por alguns tratamentos de câncer, porque ela teve dois cânceres, mas ela conseguiu superar. Já fazia um ano que ela tinha tido alta. E aí a minha irmã - eu ainda não tinha chegado, eu só cheguei no dia 19 - fez a chamada de vídeo com a Prevent Senior, aquela telemedicina. Não fizeram nenhum exame com ela, e acabaram mandando o kit covid para ela. A gente recebeu esse kit covid, começamos a medicá-la, mesmo sabendo - porque a gente tinha algumas dúvidas sobre todos esses remédios - que não era eficaz, mas como você vai falar para uma idosa de 71 anos que confia no convênio que aquele remédio que o médico mandou para ela, para cuidar dela, na cabeça dela, esse remédio não estaria fazendo nada? Nós começamos a dar o remédio para ela. Nesses dias eu já estava em São Paulo, já estava em 19 de março. Uma coisa para que a gente tem que chamar bastante a atenção é que eu estou falando de 2021. Nós não estamos falando de março de 2

Em outro momento da sessão, ela relatou que a família não autorizou o uso de flutamida na mãe — medicamento então em teste na operadora, contraindicado para quem tem problema hepático — e que o remédio foi administrado assim mesmo: “Foi dado flutamida sem o nosso consentimento, infelizmente. Eu só não posso afirmar quantas vezes foram dadas, mas que foi dado, foi.”

O uso de medicamentos sem eficácia comprovada em pacientes da Prevent Senior é objeto de capítulo próprio no relatório final da CPI da Pandemia.

fontes

  1. CPI da Pandemia18 de outubro de 2021

    Notas taquigráficas da 65ª reunião da CPI da Pandemia — audiência pública para oitiva de vítimas diretas e indiretas da covid-19 · Senado Federal